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Elisa terminou de tomar o leite no sofá, me olhou e lançou essa: “Mamãe…”. “Oi filha”. “Não pode falar ‘puta saco’?”. “Não, filha”. Silêncio por um momento. “Mas mamãe, então por que existe essa palavra?!”. Riso contido. “Ah, filha, existem muitas palavras feias, mas a gente não deve usar”…

Ai, ai, cada pergunta. Pior é que ela já está sacando que palavras feias como esta servem para muita coisa neste mundo… rss… mas mãe tem que negar, né. Neguei. Vamos ver se colou.

Hoje a Elisa rabiscou a parede do meu quarto com caneta. Tentamos limpar de todo jeito, mas não sai. Quando ela chega da escola sem dormir, fica elétrica e terrível. Não quer fazer nada que a gente pede, se distrai com qualquer coisa que esteja no caminho entre a entrada da nossa casa e o banho, e sempre apronta alguma. Na hora perdi a paciência e bati na mão dela, forte. Doeu meu peito na hora, e depois pensei que deveria ter dado um castigo, mas não me contive na hora. É horrível usar a violência…! Depois ela ficou a noite toda super carinhosa comigo, parece que querendo reconquistar, ai que dó…

Meu Deus, haja paciência!!! E sabedoria para educar.

Antes, quando eu era só filha e não era mãe, pensava que os pais gostariam, e buscavam, ter o controle sobre os filhos. Controle sobre o que os filhos fazem ou pensam em fazer, para que corressem menos riscos possíveis, e errassem só o inevitável.

Depois, quando a Elisa nasceu, percebi que naturalmente a gente (mãe e pai) acha que precisa ter o controle sobre o filhote, é basicamente isso que a gente tenta desde os primeiros dias de sua vida: controlá-los. Para que adquiram os hábitos corretos, não chorem demais, aprendam a mamar, comer, beber. E depois, quando eles crescem um pouquinho, a nossa tendência (e também dos avós, e outras pessoas que os querem bem) é fazer tudo para vê-los felizes. Tentamos, às vezes inconscientemente, controlar as situações para que os filhos sejam o mais felizes possíveis.

Agora, que a Elisa está crescendo mais e mais, venho percebendo que é ela que busca estar no controle da situação. Expressa com insistência suas vontades, e tenta fazer de tudo para elas prevaleçam. E quando menos percebemos, estamos, pais e filhos, disputando o controle.

Então comecei a ler algumas coisas sobre comportamento das crianças, e também a fazer alguns testes. “A Encantadora de Bebês”, por exemplo, livro que trata não apenas de bebês mas também dos primeiros anos da infância, me chamou a atenção para o que realmente devemos fazer, como pais: ensinar os filhos a ter o AUTO-CONTROLE. Vejam bem, o que eles fazem, a todo momento, são testes. A cada novidade que descobrem, testam se pode ou não podem. Testam quanto precisam chorar para conseguir o que desejam. Testam se o dedo na tomada realmente dá choque, se no aparelho de DVD realmente todos os botões funcionam, se a mamãe vai ficar chateada se não comer nada no almoço ou no jantar.

É claro que não vai adiantar tratar a criança como um adulto e explicar-lhe seriamente porque pode ou  não pode bater no amiguinho. Mas precisamos ser firmes nos SIM e principalmente nos NÃOs, para que o mais cedo possível eles possam aprender a controlar suas emoções e (por que não?) frustrações. Afinal, a vida é feita de alegrias e decepções, e seria bom que desde já, guardadas as devidas proporções, as crianças soubessem lidar com isso.

Outro dia, na pracinha, a Elisa não queria devolver a bola ao vizinho na hora de irmos embora. A mãe do vizinho, gentil, ofereceu: “você não quer levar a bola, e depois ela devolve?” Para não vê-la chorar ou dar vexame, fui tomada pela tentação de aceitar. Mas na mesma hora a luz vermelha se acendeu, e eu fui firme com ela: olhando nos seus olhos, expliquei que a bola era do amiguinho, precisava devolver, e no dia seguinte talvez brincariam novamente. Sim, ela chorou e gritou, mas foi o tempo de atravessarmos a rua, e ela parou e já encontrou outro motivo mais interessante para se distrair e até sorrir. Ou seja, ela fez um teste, que acabou não funcionando. Mas é sempre uma tentativa, e muitas vezes no cansaço, pressa ou praticidade, nós cedemos. Não é uma questão de estar no controle, mas de mostrar à criança que ela tem o auto-controle, que não precisa daquilo, que é bom saber dividir, e que ela pode, sim, se conformar, acalmar, e substituir por outra coisa. Não é assim que funciona na vida?

Elisa dividindo a rede com a priminha Luana

Lembro-me também que meus pais sempre tentaram me dar limites. A maioria deles eu realmente não entendia e dificilmente aceitava, mas hoje eu vejo que eles, na verdade, estavam me ajudando a adquirir o auto-controle, me obrigando a saber lidar com determinada situação, por mais frustrante que ela possa ser.

É assim que, cada dia mais, eu vejo o quanto a maternidade não se parece com uma ciência exata, que não há um kit de perguntas e respostas, e por isso mesmo, como é interessante aprender a exercer esse maravilhoso papel! Tomara que entre erros e acertos, o saldo seja finalmente positivo…

Cheia de personalidade, a Elisa agora aprendeu a dar seus berros. Chora gritado quando é contrariada, e também de madrugada, talvez por causa de pesadelos…? Comentei com o pediatra, e segundo ele nessa idade o bebê sonha muito mesmo. Mas gente, ela chora desesperada demais… se for mesmo pesadelo, haja Bicho Papão!

Não é toda noite, mas vez ou outra ela acorda chorando desesperada, e preciso pegá-la no colo, levar para a sala, mostrar que ela está em casa, com a mamãe, seus brinquedos, e tudo o mais. Mesmo assim é difícil, muito difícil fazê-la se acalmar, ela chora tão forte que até engasga! Vai um bom tempo até que ela vá se acalmando devagarinho, e depois pare de chorar, para voltar a dormir. Coitada, dá dó, muita dó, e muitas vezes fico sem saber o que fazer!

Quanto aos “escândalos” diurnos, é bem diferente. Ela chora de raiva mesmo! É interessante observar como esses sentimentos brotam expontaneamente num ser humano tão puro! Algumas vezes ela já tentou morder minha mão, quando tirei a mãozinha dela da tomada, do teclado do computador, ou do vaso de plantas cheio de pedrinhas.

O fato é que chegou aquela hora difícil, que jamais termina, de educar. Demonstrar quais são os limites, o que deve ou não deve ser feito, e muito, muito mais…! E agora, mamãe???

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